
Foram 12 anos de muita luta, mas de várias decepções. Quase chegamos em 1968, já podíamos comemorar, mas no último minuto, como um raio a fulminar nossa esperança, uma cabeçada fez em cinzas o sonho do título. Só conseguimos nos reerguer em 1970.
Neste ano, a fórmula do Campeonato Paranaense foi modificada. Dois turnos seriam disputados. Os três melhores de cada turno se classificariam para um hexagonal, de onde sairia o campeão. O Clube contou com o apoio da torcida, que ajudou a angariar dinheiro para a a formação da equipe. Aos poucos, à medida que a competição avançava, o Rubro-Negro foi ganhando a confiança de todos.
Mas o começo foi um desastre e trouxe a amarga sensação de que tudo continuaria como estava.Foram três derrotas consecutivas. Mas o quarto jogo mostrou um time diferente, um time de brios, de força. O Rubro-Negro venceu o Cianorte por 6 a 2, e mostrou que não poderia ser ignorado na luta pelo título. O resultado que trouxe tranqüilidade para a partida seguinte. Nada mais, nada menos que um Atletiba.
Neste momento, outro personagem importante entrou em cena: o presidente Rubens Passerino Moura. Contra tudo e contra todos, ele decidiu que o clássico seria na Baixada. O fator caldeirão já naquele tempo era capaz de multiplicar a força do time em campo, assustava os adversários e transformava o elenco num esquadrão quase imbativel. E veio o dia do clássico. A torcida fez sua parte. Lotamos o velho e apaixonante Estádio Joaquim Américo e apoiamos, vibramos, empurramos o time pra cima deles. O resultado não podia ser diferente, o Rubro-Negro venceu por 1 a 0 e, ali, naquela tarde, começou a arrancada rumo ao título.
No segundo turno, o Furacão passou 12 partidas invicto. Perdemos somente o último jogo para o Maringá por 3 a 1 e conquistamos o direito de disputar o título no hexagonal. Fizemos 10 partidas, vencemos seis, empatamos três e perdemos apenas uma. O título veio na última partida da fase final. Como havíamos feito 12 anos antes, na conquista de 1958, fomos a novamente Paranaguá. Desta vez, o adversário era o Seleto e precisávamos vencer para acabar com outro longo jejum, o mais longo de toda a história atleticana. Nossa equipe foi completa, inclusive com os grandes destaques da campanha: Nilson Borges, Sicupira e Djalma Santos, que lutava para campeão pela última vez na carreira.
O jogo mal começou e já havia o que comemorar. Nilson Borges, com cinco minutos de jogo fez o primeiro, aos 13, Nelsinho fez mais um. O Seleto ainda descontou, mas Liminha acertou um tirambaço depois do cruzamento de Nilson e fez 3 a 1. O placar ficou assim até os 42 do segundo tempo. Na arquibancada, já cantávamos Tá chegando a hora, quando Toninho fez mais um pra completar a festa.
A volta de Paranaguá foi inesquecível. O breu da noite de chuva na serra do mar foi rasgado por um buzinaço que começou na porta do estádio e varou a noite curitibana. A viagem foi emocionante, eufórica. Era o grito reprimido, preso na garganta por 12 anos de sofrimento, era o sangue, a paixão rubro-negra fazendo renascer a alegria de uma nação inteira. Na estrada, até onde a vista alcançava só se via a imensa procissão rubro-negra voltando pra casa. Em Curitiba, as ruas estavam tomadas desde a baixada até a Boca Maldita, desde o cruzamento da BR 116 e 277 até a Praça Santos Andrade, tudo era uma festa só. Mais uma vez, enterramos o caixâo alvi-verde, mas agora a cerimônia foi cheia de pompa e circunstância. Na hora do adeus, a torcida toda calou para ouvir o toque de silêncio entoado por um clarim que não se sabe de onde veio.
Curitiba nunca viu uma festa como aquela.
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