
O resultado não podia ser melhor. O entrosamento da equipe aumentou, o profissionalismo também e os resultados vieram de imediato. Foram nove vitórias, dois empates e uma grande zebra: perdemos para o Brasil, no primeiro turno, por 2 a 1. No segundo turno, ficou provado que aquela tarde fora mesmo infeliz. Sem nenhum apelo, fizemos um desconcertante 4 a 0 contra o mesmo Brasil.
Desta vez, a fórmula Fraga colocou, frente a frente, na melhor de três Atlético e Coritiba. Pela primeira vez, os rivais fariam uma final para decidir quem seria o campeão. Em dois jogos eletrizantes, o Rubro-Negro chegou a estar em desvantagem no placar, mas conseguimos a virada e vencemos as duas partidas pelo mesmo placar: 3 a 2.
Ambos os confrontos tiveram lances do mais puro heroísmo rubro-negro. No primeiro, o Atlético vencia por 3 a 2, aos 38 minutos da segunda etapa, e a torcida vibrava com a iminência da vitória. Mas o juiz aponta um pênalti contra o Rubro-Negro e joga uma ducha gelada em toda a torcida atleticana. O desânimo foi geral. Por alguns instantes, pensei que o empate era inevitável, mas no nosso gol estava Caju, titular da Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1942, disputado no Uruguai. A cobrança ficou a cargo de Altevir, ponteiro de chute poderoso, temido pela maioria dos goleiros. Ele correu para a bola e desferiu uma bomba. Ela tinha o endereço do empate, mas Caju foi mais rápido e, num golpe preciso e inacreditável defendeu a cobrança. Todos comemoramos como se fizéssemos a festa do título. E ainda faltava, pelo menos, mais um jogo.
O título veio sim, mas a luta na segunda partida foi ferrenha. Perdíamos de 2 a 1 e, para desespero de todos, Batista, nosso ponta-direita foi violentamente atingido e saiu para ser atendido. Quando voltou, era uma sombra, mancava sem destino pelo campo imenso. Foi mandado para a ponta-esquerda, lado sinistro do gramado, escolhido pelos técnicos para o esquecimento dos homens feridos e já sem força para o combate. Mas, apesar dos adversários imaginarem que Batista estava fora do Atletiba, ele ainda estava vivo. Num cruzamento de Ibarrola, que fora jogar na direita, Lilo enganou os zagueiros e adivinhem quem apareceu para empatar o jogo? Ele mesmo. Numa perna só, Batista saltou e cabeceou para o fundo das redes.
Não demorou e veio a virada. Batista, mais uma vez ele, manquitolando, num esforço digno de campeão, cruzou para Ibarrola. O paraguaio tocou para Lilo, que girou, veloz, e desferiu o tiro da virada. Éramos Campeões mais uma vez.
A comemoração do título foi cheia de eventos. Festejamos tanto em campo como nos bailes. Fizemos até uma arrecadação de fundos para homenagear os atletas. Foi o primeiro bicho registrado na história do clube.
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