Já presenciei o Atlético se sagrar campeão inúmeras vezes, mas nunca (com exceção de 2001) de maneira tão marcante como no campeonato paranaense de 1990. Depois de conquistarmos de forma invicta o primeiro turno, passamos por um baita sufoco no segundo e só terminamos numa posição intermediária, conseguindo a classificação depois de vencer o Paraná Clube, que havia sido recém “fundido” e participava do seu primeiro campeonato. Ainda assim, com todas as dificuldades, mudanças de técnicos e contusões, fomos para o hexagonal e graças à força da torcida rubro-negra e ao sucesso das contratações feitas pelo então presidente Farinhaque, fomos para a final. Junto com a gente, nosso rival alviverde. Os dois jogos foram no Couto. No primeiro, empate em 1 a 1, mas é a história do segundo jogo (e o que ganhei a partir dele) que vou contar a partir de agora.Uma história, um suíno e alguns autógrafos.
Dia 5 de agosto de 1990. Do “alto” dos meus dez anos de idade, cursando a quarta série do primário, tênis kichute no pé e ainda com alguns dentes de leite na boca, assisti à final do lado verde. Nada de mais, a não ser pelo forte odor que os seus adeptos exalavam, sobretudo quando erguiam os braços ou abriam a boca. Foi a primeira, única e última vez que assisti a um jogo na torcida deles. Um tio meu, coxa-branca, convidou a mim e meu irmão para irmos com ele assistir àquela final no estádio. Meu pai, atleticano fervoroso e que sempre me levava aos jogos, estava viajando e como eu queria muito ver a peleja aceitei o convite.
Pipoca vai, picolé vem, casca e mais casca de amendoim no chão, enfim a partida começa. Nas arquibancadas, eu via a torcida do CAP pular, cantar e explodir de alegria com o primeiro gol de Dirceu, ainda no começo do jogo. Meu coração batia no mesmo ritmo da pesada bateria da Fanáticos e ouvia pela primeira vez o ecoar da música mais popular em qualquer Atletiba, aquela canção do Pink Floyd. O grito de gol que ardia em minha garganta teve que ser abafado, pois até uma criança de dez anos sabe que não se deve comemorar um gol do seu time dentro da torcida “inimiga”. Porém, antes de terminar o primeiro tempo, eles viraram o jogo.
Dia 5 de agosto de 1990. Do “alto” dos meus dez anos de idade, cursando a quarta série do primário, tênis kichute no pé e ainda com alguns dentes de leite na boca, assisti à final do lado verde. Nada de mais, a não ser pelo forte odor que os seus adeptos exalavam, sobretudo quando erguiam os braços ou abriam a boca. Foi a primeira, única e última vez que assisti a um jogo na torcida deles. Um tio meu, coxa-branca, convidou a mim e meu irmão para irmos com ele assistir àquela final no estádio. Meu pai, atleticano fervoroso e que sempre me levava aos jogos, estava viajando e como eu queria muito ver a peleja aceitei o convite.
Pipoca vai, picolé vem, casca e mais casca de amendoim no chão, enfim a partida começa. Nas arquibancadas, eu via a torcida do CAP pular, cantar e explodir de alegria com o primeiro gol de Dirceu, ainda no começo do jogo. Meu coração batia no mesmo ritmo da pesada bateria da Fanáticos e ouvia pela primeira vez o ecoar da música mais popular em qualquer Atletiba, aquela canção do Pink Floyd. O grito de gol que ardia em minha garganta teve que ser abafado, pois até uma criança de dez anos sabe que não se deve comemorar um gol do seu time dentro da torcida “inimiga”. Porém, antes de terminar o primeiro tempo, eles viraram o jogo.
Já na segunda etapa, um jogador deles entrou para a nossa história. Berg, um zagueiro meia-boca do coxa, foi cortar uma bola que foi para a área deles depois de uma cobrança de lateral e, sem querer querendo, mandou a bola direto pra dentro do gol. Gol contra do Berg. 2 a 2 no placar. Como o Atlético tinha a vantagem de dois empates, fomos mais uma vez campeões dentro do popular remendadão.
Enquanto a torcida verde saía cabisbaixa do Couto, meu irmão, provando pertencer à mais nobre raça suína e motivado pela humilhação e ressentimento perverso que só a perda de um título causa, teve a “excelente” idéia de contar para seus comparsas que eu torcia para o Atlético. Claro que não apanhei, pois era apenas uma criança, mas confesso que foi o dia em que meu esfíncter fechou-se da forma mais abrupta a qual me recordo. Chegamos no carro e, depois de uma briguinha básica de irmãos, pude enfim soltar aquele grito que esteve sufocado por alguns minutos. ATÉTICO CAMPEÃO!!!
Enquanto a torcida verde saía cabisbaixa do Couto, meu irmão, provando pertencer à mais nobre raça suína e motivado pela humilhação e ressentimento perverso que só a perda de um título causa, teve a “excelente” idéia de contar para seus comparsas que eu torcia para o Atlético. Claro que não apanhei, pois era apenas uma criança, mas confesso que foi o dia em que meu esfíncter fechou-se da forma mais abrupta a qual me recordo. Chegamos no carro e, depois de uma briguinha básica de irmãos, pude enfim soltar aquele grito que esteve sufocado por alguns minutos. ATÉTICO CAMPEÃO!!!
Para mim a melhor parte deste título tão sofrido veio uma semana depois, no jantar oficial que a diretoria promoveu para a torcida. Se não me engano foi no restaurante Madalosso - mesmo lugar onde será a festa, dia 26 de março próximo, que comemora os 85 anos de fundação do nosso amado Clube Atlético Paranaense. Foi uma ocasião muito especial para mim, um jovem garoto que sonhava em um dia conhecer o esquadrão rubro-negro acompanhado de seu pai.
Naquele dia, com a faixa oficial de campeão em mãos, entregue a nós pessoalmente pelo presidente Farinhaque, peguei o autógrafo dos jogadores Marolla, Valdir, Leonardo, Gilberto Costa, Carlinhos, Dirceu, Serginho e do técnico Zé Duarte. Só faltou o autógrafo do Berg.
Ps1.: Meu irmão nunca mais cometeu um ato tão inconseqüente como aquele, apesar de, infelizmente, continuar habitando os lados lamacentos do Alto da Glória.
Ps2.: Naquele mesmo ano, no primeiro Atletiba do campeonato, os Fanáticos cometeram um ato de maus tratos a um pobre animal. Vestiram a camisa do Coritiba num porco e soltaram o bichinho para chafurdar no gramado do Couto Pereira. Pensando bem, até que combinou.
Ps2.: Naquele mesmo ano, no primeiro Atletiba do campeonato, os Fanáticos cometeram um ato de maus tratos a um pobre animal. Vestiram a camisa do Coritiba num porco e soltaram o bichinho para chafurdar no gramado do Couto Pereira. Pensando bem, até que combinou.
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